Flerte
Essa semana tive que resolver uns problemas burocráticos na universidade. Tinha que encontrar uma secretaria que não conhecia para entregar uma papelada. Mas acabei meio perdido no prédio.
Andando por lá encontrei um rapaz e uma moça em uma salinha e perguntei pela dita secretaria. A moça se propôs a me acompanhar. Fiquei um pouco surpreso pela gentileza e agradeci. Fomos batendo um papo, começando pelo usual “que tempo, heim?”, para então falar das coisas que fazemos na vida.
A garota era muito bonitinha, mas devia ter uns 10 anos a menos do que eu. E me xavecou não muito discretamente. Primeiro elogiando minha carreira, depois meu nome, depois… Se demorássemos mais um pouco para chegar na sala que buscava, acho que ela me convidaria para um suco, ou algo assim.
Talvez aceitasse, ou talvez não. Mas não seria nada a ver com ter ou não confiança em mim mesmo e na condição de homem fiel. É que estava correndo e com bastante pressa e precisava fazer algumas coisas que não podiam esperar.
Bem, é verdade que eu possuo uma longa tradição de me comportar como um pato. Se por algum motivo misterioso não sou eu a tomar a iniciativa na cara dura (quase nunca), a mulher pode se atirar em mim que eu sempre fico com pudores e dúvidas do tipo “será que não estou viajando? Será que ela está de fato a fim de mim?” Lembro de um dia, há muitos anos atrás, em que três lindas mulheres me convidaram para entrar no carro delas – e, estúpido clichê, era um conversível – e eu besta aleguei algum compromisso, também pretensamente inadiável. Mas eu acho que o que me impede nessas horas não é pudor, é algo mais vergonhoso e recôndito…
De qualquer maneira, são pequenos elogios como este flerte – que foi, aliás, bastante inocente a despeito da franqueza com que aconteceu – que me dão os necessários boosts na minha auto-estima, ao menos de vez em quando.

Deixe uma resposta